Cuidado dos filhos adolescentes

filhos-adolescentes

A adolescência é uma etapa de muitas mudanças, tanto no corpo como na mente. Nessa época, o jovem começa a desen­volver a independência, tanto emocional como de proteção dos pais. Isso faz parte do caminho à maturidade. Mas, nesse tempo, há também a descoberta do mundo, o aumento das tentações da carne com suas paixões e dos conflitos de rebelião contra todo tipo de autoridade, inclusive a dos pais.

Essa época também se reveste de especial importância por­que, geralmente, é nela que o jovem toma sua decisão pessoal de ser um discípulo de Cristo para o resto da vida. É o tempo de levar os filhos a pensar em Deus e no futuro de suas vidas de forma madura.

Alegra-te, jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá contas.

Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer. Ec 11.9; 12.1.

A partir dos 18 anos, o jovem continua debaixo do cuidado paternal, mas começa a ter uma vida mais independente. Os pais terão que aprender a “soltar as rédeas” aos poucos e na medida certa, confiando na formação que deram a seus filhos durante os anos anteriores.

Nesse tempo também, alguns filhos que cedem às ten­tações, são inclinados a esconder a verdade dos pais e da igreja, começando assim um perigoso caminho de mentira e hipocrisia.

Por tudo isso, é muito importante que os pais não sejam surpreendidos por essa fase dos filhos e não tenham reações erradas. É momento, mais do que nunca, de dependerem de Deus e buscarem Seu sábio conselho.

Firmeza e carinho

É tempo de ser muito firmes e muito carinhosos com seus filhos. O erro mais comum que encontramos em pais de ado­lescentes é o contrário da firmeza e do carinho: a frouxidão e a aspereza.

O erro se manifesta quando os filhos, ao sofrerem as pres­sões deste mundo, questionam: “Por que não posso ir ao cinema com meus colegas?”; “Por que não posso usar tal moda?”; ou ainda: “Mas, isto é pecado?”. Eles querem a Deus, mas gostam também de coisas deste mundo. Nesse momento, muitas vezes, os pais erram: não proíbem os filhos, porém ficam chateados com eles. Na verdade, os pais deveriam, com toda firmeza, carinho e graça, colocar os limites neces­sários para guardar os filhos de perigos e males que eles não enxergam.

Os filhos adolescentes necessitam
de direção, firmeza, amizade e
carinho dos pais.

Os pais não devem ter medo de colocar limites. Se forem frouxos, ficarão aborrecidos com seus filhos, se tornarão áspe­ros com eles e os filhos serão perdidos para o mundo.

Direção clara para a vida

Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, as­sim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta.” Sl 127.3-5.

O jovem precisa de modelos dignos e direcionamento claro e firme para a vida. Os adolescentes estão muito preocupados em viver o presente. Não percebem que a mocidade é tempo de semeadura. Não sabem colocar metas de longo prazo. Cabe aos pais a responsabilidade de dar a direção. Eles são como flechas na mão do guerreiro (Sl 127.4). O guerreiro, antes de soltar a flecha, direciona com precisão, para então soltá-la no momento exato: nem antes, nem depois. Enquanto a flecha está na mão do guerreiro, ele pode guardá-la e influenciá-la. Depois que ele a solta, só lhe resta observar e interceder por ela.

Os filhos são como flechas na
mão do guerreiro. Necessitam de
direção precisa em todas as áreas,
antes de serem soltos.
Áreas a serem direcionadas

É necessário buscar ajuda de Deus para formar estas áreas na vida dos filhos com graça e sabedoria, em seu interior, não simplesmente por imposições paternas.

a. Relacionamento com Deus e com a Igreja. Antes de tudo, ensiná-lo a amar e criar uma profunda relação com Deus, pela oração e pela Palavra. O filho deve ser ensinado também a comprometer-se e envolver-se com a Igreja. Deve aprender a respeitar os líderes e os demais irmãos, participar de todos os eventos e cooperar com o avanço do Reino de Deus.

b. Relacionamento familiar. Ensiná-lo a desenvolver bons hábitos e cultivar um bom relacionamento com os demais membros da família, ser respeitador para com todos e assumir responsabi­lidade pessoal nas tarefas domésticas, no cuidado e na conservação dos bens familiares.

c. Estudo e trabalho. Orientá-lo a estudar e preparar-se para o futuro, mesmo que ele não goste de estudar. O jovem pode aprender a controlar-se e vencer o desânimo que leva muitos a abandonarem os estudos. Ele precisa ter em mente que está se preparando para o futuro. Os pais devem direcioná-lo a ser um trabalhador diligente, pontual, cumpridor, honesto e bem disposto; não pre­guiçoso e acomodado.

d. Caráter. Formar nele valores fundamentais de caráter: ser verdadeiro, honesto, corajoso, puro, respeitador, sujeito às autoridades, manso, humilde, organizado, disposto a servir e que usa bem o seu tempo. Ser cumpridor dos compromissos e concluidor de suas tarefas. Adverti-lo contra a influência do mundo: modas, músicas, filmes, revistas, amizades e conversas.

Ambiente alegre e descontraído

Com toda essa firmeza e direção, os pais devem tomar cui­dado para não transformar a casa em um quartel. Tudo deve ser regado com muito afeto e relacionamento. É importante haver um ambiente com brincadeiras e descontração. Isso não diminui a autoridade dos pais; ao contrário, aproxima os filhos dos pais. Quem suporta viver em um ambiente triste e pesado? Os jovens são alegres por natureza, gostam de rir e brincar. É algo lícito que os pais devem buscar também, promovendo muito riso e brincadeiras saudáveis. A vida com o Senhor é uma vida alegre (Rm 14.17; Gl 5.22).

A alegria do Senhor é a vossa força. Ne 8.10.

Os pais também não devem impor seus gostos aos filhos. Gostos são diferentes de princípios. Quando possível, é bom atender a gostos e preferências dos filhos (evidentemente, nada que ofenda ao Senhor). Isso os alegra e os exercita, de forma saudável, a discernir entre o bem e o mal. (Ef 6.4; Cl 3.21).

Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados. Cl 3.21.

Instrução com a Palavra

Os jovens recebem, diariamente, através da escola, dos amigos, dos vizinhos, da televisão e da internet, os pensamen­tos e mentiras do mundo: rebelião, sensualidade, materialismo e orgulho. É necessário, portanto, encher a mente e o coração dos filhos, da mesma maneira, diariamente, com a palavra de Deus. Levá-los a conhecer ao Senhor e a amar a sua verdade.

É fundamental dar a palavra de Deus ao
jovem filho. Profetizar e ministrar com fé.

É fundamental ministrar a palavra de Deus ao jovem filho, ler juntos as Escrituras, profetizar e ministrar com fé. É inte­ressante ter um currículo de ensinos, estudar as apostilinhas e reunir-se, para oração e instrução. Sem isso, ele não terá a fé necessária para se posicionar como um discípulo de Cristo quando chegar o momento de fazê-lo.

Alternativas para correção dos filhos adolescentes

Os filhos devem saber que a desobediência sempre será tratada segundo o que Deus determinou. Se os filhos não forem corrigidos, Deus corrigirá os pais (1Sm 3.13-14). Filhos grandes, não corrigidos, vão se distanciando dos pais; e os pais, deles. Isso marca o início do crescimento da semente da rebelião no coração dos filhos.

A correção dos filhos adolescentes pode passar por dife­rentes instâncias que trataremos a seguir.

a. Admoestação verbal

E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor. Ef 6.4.

Melhor é a repreensão franca do que o amor enco­berto. Leais são as feridas feitas pelo que ama… Pv 27.5-6.

Esta é uma primeira instância. Não se trata de gritar e nem discutir, trata-se de levar o filho a compreender seu erro. Pode ir desde um sério conselho até uma forte repreensão e deve ser algo revestido de seriedade, com sabedoria e graça de Deus. Apele para o temor a Deus e aponte para o amor à justiça e ao que é reto e verdadeiro.

Admoestar não é gritar ou discutir.
É levar o filho a compreender seu erro,
com seriedade, sabedoria e graça.
b. Admoestação com retirada de algo que lhe agrade

Esse tipo de medida tem como objetivo trazer maior reflexão sobre o erro. Sempre que possível, a privação deve estar relacio­nada com o mal que o filho tenha cometido (restringir saídas de lazer, internet, etc.). Cuidado para não cortar algo que envolva sua formação espiri­tual ou intelectual, por exemplo, proibir de ir aos compromis­sos da igreja ou do colégio. Também, não devem ser colocados como castigo um trabalho ou tarefa normal, para não transmitir a ideia de que trabalho é castigo.

c. Correção física

O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina. Pv 13.24.

Castiga a teu filho, enquanto há esperança… Pv 19.18.

Esse tipo de disciplina, em filhos adolescentes, ainda é uma medida possível, quando necessário. Entretanto, uma vez que o adolescente normalmente já não desobedece tanto, ela acabará sendo menos usada.

Quanto mais velho for o filho, mais criterioso deve ser o momento de disciplinar. Não pode ser uma briga, deve ser um momento gracioso, sem ira, com uma boa palavra, seguida de arrependimento, oração, perdão e reconciliação: um verda­deiro encontro com Deus.

No entanto, com filhos adolescen­tes que não foram disciplinados desde crianças, essa correção pode não ser a medida mais adequada. Nesses casos, há outras medidas disciplinares que podem ser aplicadas. Deve-se depender de Deus e buscar conselho.

d. Disciplina na Igreja

Para filhos já batizados, além da dis­ciplina doméstica, conforme o erro pra­ticado, há necessidade de levar o assunto à igreja, para que o filho seja disciplinado como um discípulo. Os pais não podem administrar sozinhos os pecados dos filhos convertidos. Eles têm um compromisso com a igreja.

Pais não podem administrar sozinhos
os pecados dos filhos convertidos.
Eles fazem parte da igreja.

Cultivar amizade e abertura com os filhos

Desenvolver uma amizade sincera com os filhos deve ser uma prioridade. A comunicação e a instrução terão muito mais efeito dentro de uma amizade real e proporcionará um ambiente de confiança para que eles sejam sempre sinceros e transparentes com os pais.

Para isso, a dedicação é necessária: sair juntos para passeios, praias, pizzas, esportes, etc. O pai e a mãe devem sair com todos juntos e também individualmente com cada filho e filha. Tempo juntos é fundamental para haver abertura e boas conversas. Presentes e cartas também ajudam a demonstrar sentimentos e cultivar a amizade.

É muito importante falar a verdade em amor (Ef 4.25) e conversar sobre tudo com eles. Escutar os filhos com calma, atenção e compreensão. Todas as perguntas devem ser respon­didas, sendo sempre sinceros.

Quando os pais errarem, é essencial confessarem e reco­nhecerem seus erros diante dos filhos. Eles já não são mais crianças e percebem quando os pais erram. Esse reconheci­mento não diminui a autoridade dos pais, pelo contrário.

Outro aspecto é não falar dos filhos aos outros: não expor seus erros, não contar seus sentimentos, paixões, segredos e opiniões; não envergonhá-los. Devem, também, ser sensíveis e elogiar seus filhos. Isso os animará a prosseguir.

A criação dos filhos vai além da nossa capacidade natural. Mas, se aceitarmos esta tarefa com fé e na dependência de Deus, receberemos toda a graça necessária para realizá-la e conduzi­remos nossos filhos no caminho eterno. Aleluia!

Se aceitarmos a tarefa da criação
dos filhos com fé e na dependência de Deus,
receberemos toda a graça para realizá-la.

 Texto retirado da Apostila A Família – Edição 2013
– Igreja em Salvador – Site Fazendo Discípulos)

Mais sobre criação de filhos em: Amizade e Instrução.

Mais sobre família em: A família segundo Deus.

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