Não acumuleis …

nao-acumuleis

 

por Bruno Silva

Há algum tempo venho fazendo uma reflexão acerca de mim mesmo, do mundo e da igreja do Senhor, e Deus vem me falando algumas coisas.

No livro de Mateus, Jesus nos advertiu dos perigos das riquezas:

“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. Mt 6.19-21.

Vivemos em um mundo onde a marca dos dias atuais parece ser: “Juntar tesourosnesta terra. O mundo anda freneticamente nessa direção. Tudo no mundo caminha para o bem estar nesta vida. Pessoas se matam de trabalhar, estudam , labutam arduamente com vista, apenas, em uma coisa: “dinheiro”.

Isso porque o dinheiro proporciona “tranquilidade” ou, pelo menos, nos ilude com tal sensação. O dinheiro abre oportunidades, traz conforto, possibilidades, luxo, vida abastada. O dinheiro compra “segurança”. Com ele, as pessoas se sentem blindadas, pois há um ditado que diz que o dinheiro a tudo compra.

Pessoas que se enveredam por este caminho, começam a colocar todos os sonhos e força neste alvo. Olhar para o presente século e ver estas verdades imprimidas no coração dos homens não é de se assustar. O estranho é que a “igreja” embarcou nessa viagem e, a cada dia, caminha com firmeza nessa direção, contrariando, e muito, a direção de Jesus para nós. O Senhor nos ensinou: “reparta”; e o mundo clama: “ajunte”. O Senhor nos disse: “não ajunteis aqui nesta terra”; e o mundo diz: “junte o máximo que puder e gaste o máximo”.

Sutilmente, uma mentalidade mundana tem invadido a mente e os corações dos filhos de Deus. Não é de se estranhar que, nos dias de hoje, se vê pouco amor sacrificial, pouca entrega, pouco desprendimento. Nunca a igreja se importou tão pouco com os povos não alcançados, coisas que no passado permeavam o coração, os sonhos e os rumos de santos homens de Deus. Homens que não se rendiam a um sistema mundano de viver. Homens que não permitiam a fascinação pelas riquezas entrarem em suas casas.

E, para mim, a razão de tudo é uma só: tais homens não amavam este mundo. Seus sonhos não podiam ser comprados com dinheiro. Seus corações estavam cheios de desejo por uma pátria celestial e foram inundados de desprendimento.  Isso porque encontraram uma “pedra de grande valor” e esse encontro arrebatou seus corações para fora deste mundo.

Pais desejavam ver seus filhos amando a Deus, dando-se pela causa de Cristo e, com isso, formaram homens que foram exemplos de entrega, renúncia, generosidade e santidade. Hoje, o que vemos são pais que se dão por satisfeitos de verem seus filhos formados, bem empregados, com bons salários e bom carro. Mesmo que, em seus corações, não exista “paixão  por Deus“…

É triste ver que, no coração de alguns, parece ter-se perdido a promessa de uma pátria  celestial. Parece que nos esquecemos de que Jesus disse que viria nos buscar e nos levaria para “casa”. Fincamos sonhos em terra estranha, desejamos  repouso  em lugar que não é o nosso lugar, porque somos peregrinos e forasteiros neste mundo.

O apóstolo Paulo dá um conselho a Timóteo :

 “Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos; Que façam bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis; Que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna”. I Timóteo 6.17-19.

Deus deseja nos livrar das fascinações do tempo presente, pois elas têm roubado a força do povo de Deus. Os espinhos têm nos deixado infrutíferos. A marca do fim dos tempos seria essa: “homens amantes de si mesmos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus”.

A igreja do Senhor tem se perdido em meio a muitas coisas, mas a dura realidade é perceber que hoje já não somos tão desanimados com o mundo. A marca do povo de Deus era um caminhar na contramão desse sistema falido.  O Senhor está nos chamando. Chamando- nos para voltarmos para simplicidade. Chamando-nos a nos apegarmos a um viver simples e a perseguirmos nosso alvo: Sermos conformados à semelhança de Cristo.

Não é de se estranhar que tais espinhos têm nos tirado a vida, a alegria, o prazer em Deus. Já não e fácil encontrar homens desesperados pelo Senhor e por sua causa, nossos valores estão invertidos.

Que Deus restaure, em nossos corações, o desejo pela sua vinda. Que nossos corações estejam inundados de entrega, generosidade e amor por Deus e não pelo mundo.

“E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia. Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem.” Lucas 21.34-36.

 (Bruno era discípulo em Belo Horizonte. Hoje, está em São Tomé e Príncipe, com a esposa e um filho, servindo ao Senhor.)

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