Viver pela fé em Cristo (12)

Paulo descobriu o segredo da vida abundante. Ele afirma: já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. Que tre­menda declaração. Esta não é mais uma verdade na vida cristã. É o princípio central da vida de Paulo. É o segredo da vida su­perabundante que vemos no apóstolo.

Viver pela fé em Cristo

“Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gl 2.20)

Neste texto, Paulo nos dá a chave para experi­mentarmos essa mesma realidade que ele experimenta. Ele nos diz como devemos viver esta vida que ainda temos na carne: vivo pela fé no Filho de Deus.

A realidade da vida de Cristo em
nós opera por meio da fé.

“O justo viverá por fé.” (Rm 1.17).

Receber – pegando

É possível alguém que se arrependeu e teve uma expe­riência com Cristo, não experimentar esse poder da vida de Cristo agindo em sua vida? Sim. É possível.

Há pessoas com problemas na igreja que ainda são indepen­dentes e rebeldes. Não se arrependeram e não estão dispostas a renunciar a tudo por amor a Cristo. Mas há muitas outras, talvez a maioria, que se arrependeram, amam a vontade de Deus de todo coração, mas muitas vezes descobrem que não fizeram a vontade de Deus. O que está faltando? Às vezes está faltando fé.

“Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça.” (Jo 1.16)

Se o texto acima diz que todos temos recebido da sua plenitude, é porque todos recebemos. O que é esta plenitude? É Sua santidade perfeita, Seu amor perfeito ao Pai, Seu coração puro, perfeito e humilde. Essa é a plenitude de Cristo.

Porém, ao olharmos para nós mesmos, nos perguntamos: “Será que eu recebi?” Quando nos lembramos da briga de on­tem, da amargura de anteontem, do ciúme da semana passada, da preguiça da semana retrasada, da impureza de três semanas atrás, nos perguntamos o que há de errado em nós.

Para respondermos esta pergunta devemos entender bem como é que se recebe esta plenitude. No texto de Jo 1.16, a expressão “todos temos recebido”, na língua original em que foi escrita, é a palavra grega “lambano”. Esta palavra é muitas ve­zes usada no Novo Testamento e tem o significado de pegar.

A chave para receber da plenitude de
Cristo é a fé que recebe-pegando.

Quando Jesus diz a Pedro para jogar o anzol no mar e pegar um peixe, Jesus disse a Pedro: Vai, joga o anzol e “lam­bano” um peixe. Jesus estava dando o peixe, mas Pedro tinha que pegá-lo. Quando, em outra ocasião diz que Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes com a mão e os abençoou, a palavra que aparece nos evangelhos é “lambano”.

Portanto podemos compreender agora como é que rece­bemos da plenitude de Cristo. Recebemos pegando. “Lamba­no” significa receber – pegando.

“Porque todos nós temos pegado’ da sua plenitude e graça sobre graça.” (Jo 1.16 – a palavra “recebido” foi substituída por pegado’ ).

A mulher miserável

Conta-se de uma mulher muito pobre, que vivia sozinha em um casebre. O teto com goteiras, sujeira por todo lado, e a mulher enferma deitada em uma cama, sem poder levantar. Não tinha dinheiro para ir ao médico, nem comprar remédios.

Um vizinho cristão compadeceu-se e foi visitá-la. Ao che­gar lá, encontrou-a miserável, amargurada, triste e sem espe­rança. Depois de limpar um pouco a casa e alimentá-la, ele perguntou: “Posso orar pela senhora?”

Enquanto orava por ela, abriu os olhos e viu um quadro na parede. Era um quadro esquisito. Não tinha nenhuma pintu­ra. Tinha apenas muita coisa escrita. Ao terminar de orar ele perguntou: “O que é isso aí na parede?”

Ela respondeu: “Ah, meu filho. Essa é a única coisa boa que eu tenho. Faz-me sentir um pouco mais digna. Sabe o que é? Eu não sei ler e nem sei o que está escrito aí. Mas há muito tempo atrás, eu tinha uns tios, gente de bem. Eram eles que me sustentavam e cuidavam de mim. Eu vivia muito melhor que agora. Mas eles eram velhinhos e um dia uma pessoa veio aqui e me disse que eles morreram e que me deixaram isso aí. Como era a única lembrança que eu tinha dos meus tios, eu juntei um dinheirinho e fiz essa moldura que esta aí. E toda vez que me sin­to um pouco desanimada, eu olho para esse quadro e me lembro que eu não sou tão miserável assim e que tinha gente na minha família que era gente de bem.”

O irmão pegou o quadro e começou a lê-lo. E, enquanto o lia, seus olhos foram se arregalando. Aquele quadro era o comunicado de uma herança que os tios haviam deixado para ela. Aquela mulher era riquíssima, tinha milhões no banco, em nome dela. Tinha uma enorme herança, poderia ter tudo o que quisesse, mas vivia uma vida miserável.

Ela tinha uma herança porque lhe havia sido doada. Mas, ao mesmo tempo não a tinha, porque ainda não a havia pegado, pois não recebeu-pegando.

Que a vida de Cristo em nós não se torne uma
simples doutrina guardada na apostila.

Corremos o risco de que Cristo se torne uma doutrina em nossas apostilas, e a verdade se torne um quadro em nossas paredes. Que não seja assim. Que Ele seja nossa vida. Somos ricos. Não vivamos uma vida de pobreza.

Recebamos nossa herança, pegando-a.

A chave é a fé

A única coisa que temos que fazer é crer. A resposta que Deus espera de nós para que tomemos posse de toda esta realidade é a fé. Deus quer fé. É dizermos: “Senhor eu creio na Tua Palavra.” “Eu creio que Cristo vive em mim, e que Ele tem todo o poder para cumprir toda a Tua vontade em mim”. Pron­to. É crer e agir de acordo com esta verdade, deixando Cristo fazer tudo em nós.

É como se tivéssemos um tremendo motor dentro de nós. Potentíssimo. Mas esse motor só funciona se acionarmos a chave. O motor é Cristo em nós. A chave é a . A fé que recebe-pegando.

Tomemos posse de nossa herança

Cristo é a nossa herança.

“Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção,” (1Co 1.30)

Somos herdeiros de Cristo Jesus. Tudo o que é dele, é nosso também. Sua ressurreição é nossa ressurreição, seu po­der, é nosso também, sua pureza, é nossa também.

Uma vida assim é uma vida sem limites.

Nós recebemos…

… Sua sabedoria, no lugar da nossa insensatez;

… Sua força, no lugar da nossa fraqueza;

… Sua justiça, no lugar da nossa injustiça;

… Sua santidade, no lugar da nossa corruptibilidade.

Graças a Deus por Cristo Jesus. Ele é tudo para nós. Ele é a nossa vida. Aleluia!

“Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele.” (1Jo 4.9).

A vida de Cristo em nós é herança disponível a todos os:

  • novos que precisam vencer os pecados,
  • antigos que se sintam cansados e necessitem de re­novo,
  • que estejam com sintomas de stress ou angústia,
  • papais e mamães cansados e sobrecarregados, sem saber direito o que fazer com seus filhos,
  • casados que sofrem com seus companheiros não con­vertidos,
  • jovens em conflito, pressionados pelos colegas;
  • discípulos que querem frutificar.

Se é pela fé, para que serve o arrependimen­to?

Se é Cristo que faz todas as coisas em nós, pela fé, e se não é pela força humana, para que serve o arrependimento e o negar a si mesmo?

O arrependimento é fundamental. Uma vez que o proble­ma do homem começou com a rebelião, a independência, então a solução começa com o arrependimento, a dependência.

Ao arrepender-se, o homem ainda continua estragado e inútil, mas Deus já pode tomá-lo e encaminhá-lo à solução, que é Jesus Cristo. Sem o arrependimento, Deus não pode conduzir o homem a Cristo.

Arrependimento não dá poder. Arrependimento é uma condição para Cristo poder agir. O poder está em Jesus. O po­der vem de nossa fé em Jesus.

O arrependimento é fundamental, mas
não nos dá poder. O poder está em Jesus.

A Palavra não diz que somos salvos pelo arrependimento. Diz: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;” (Ef 2.8).

Quando Paulo fala da sua vitória contra o pecado, ele não diz “Graças a Deus pelo arrependimento.” Ele diz: “Graças a Deus por Jesus Cristo” (Rm 7.25).

O poder e a plena vitória vêm de uma só forma: Pela fé no Filho de Deus, que nos amou e a si mesmo se entregou por nós.

Leia  mais sobre a realidade de nossa Vida em Cristo em:

(Texto retirado da Apostila A Vida em Cristo – Edição 2004
– Igreja em Salvador – Site Fazendo Discípulos)

 

 

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